A necessidade de se ampliar o direito
à saúde e a educação de nossa população, principalmente pelo
fato da cidade de Nova Friburgo
ter vivido
a maior catástrofe
climática da
história do país, onde mais
de 500 vidas foram
ceifadas, e
particularmente, as
crianças que
viveram os momentos de
horror, com muitas
delas perdido
seus familiares, são
fatores predominantes para a propositura de lei apresentada pelo
vereador Ricardo Figueira.
O
projeto dispõe sobre a
implantação de assistência psicológica em toda a Rede Municipal
de Ensino, com o objetivo de desenvolver
um trabalho preventivo, diagnosticando,
intervindo
e prevenindo
problemas de aprendizagem, tendo como enfoque o educando e as
instituições de Educação Infantil e Ensino Fundamental.
O
projeto determina, ainda, que a assistência deverá ser prestada por
profissional habilitado e ocorrer nas dependências da instituição
durante o período escolar, por período pré-determinado atendendo
às necessidades de cada unidade escolar.
Segundo o vereador,
o objetivo principal deste
trabalho foi o de levantar subsídios para a contratação do
Psicólogo Escolar para a Rede Municipal de Ensino. Por não
"saberem" lidar com questões mais
complexas, ou por não
"conseguirem entender" o que se passa com os alunos, grande
parte dos educadores sente-se incapaz de desenvolver seu trabalho.
Apesar da educação
escolar ser um objeto de estudo de várias disciplinas científicas,
nem todas estão representadas no organograma das escolas. Os
profissionais que compõem as Equipes Técnicas das escolas
representam uma única categoria profissional: a do Pedagogo, nas
habilitações de Supervisor de Ensino e de Orientador Educacional.
No entanto, apesar da constituição destas Equipes, as escolas
continuam enfrentando problemas na estruturação de intervenções
mais contundentes para a superação de suas dificuldades.
Em 1981, a APA
(American Psychological Association) divulgou suas "Diretrizes
de Especialidade para a Prestação de Serviços por Psicólogos
Escolares", definindo os papéis desempenhados por esses
profissionais como: "serviços destinados a promover o
desenvolvimento educacional e a saúde mental.
Em 1995, um outro estudo bibliográfico, constatou que a expectativa com relação ao Psicólogo Escolar é que este tenha como objeto principal de trabalho, a criança e o escolar, tendo permanentemente preocupação com os valores éticos na construção da sua prática.
Entende-se que
cotidiano escolar é o espaço privilegiado para a atuação do
Psicólogo Escolar, pois é onde ocorre o encontro dos diversos
segmentos que estão envolvidos com o dia a dia da escola, o que
circunscreve o campo para a emergência das contradições que estão
implícitas nas relações sociais que ali se desenvolvem. Assim
sendo, a principal função do Psicólogo Escolar dentro da escola é
a de, a partir de seu cotidiano e de sua história, proporcionar
situações coletivas onde se desvele os significados implícitos nas
relações (sobre a escola, sobre o conhecimento, sobre o aluno,
etc...), de tal forma que os envolvidos no processo deem novos
significados para as relações que ali estabelecem.
Desta forma,
entende-se que o "lugar" do Psicólogo, seu espaço de
atuação, deve ser "dentro" da escola. Ali, onde terá
acesso ao cotidiano, ao dia a dia, ao que fazer diário de
professores, alunos, direção, etc... É neste contexto e neste
lugar que o Psicólogo poderá contribuir para uma visão
multidisciplinar dos processos educativos que acontecem no contexto
escolar.
Realidade
em Londrina
Pesquisa realizada
com 155 educadores nas escolas municipais de Londrina, 84,52%
afirmaram ter dificuldades em suas atuações profissionais com os
alunos; 78,71% com os pais; apenas 21,94% com a equipe técnico-
pedagógica e 38,71% com o conteúdo.
Além disso, 96,13%
dos educadores afirmaram a necessidade do apoio de especialistas nas
escolas, e entre eles destacaram: Psicólogo, Fonoaudiólogo,
Psicopedagogo, Orientador Educacional, Supervisor, Assistente Social,
Odontólogo, Pedagogo, Médico, Fisioterapeuta, Nutricionista,
Advogado e Enfermeiro.
E para finalizar,
73,55% dos educadores afirmaram desconhecer o trabalho do Psicólogo
Escolar, sendo que apenas 9,03% já trabalhou com um profissional
desta área e consideraram fundamental as intervenções realizadas
pelo Psicólogo, tanto no âmbito escolar como fora deste contexto.
Nesse sentido, o Psicólogo Escolar pode, e deve, inserir-se na Equipe Técnica da Escola tendo em vista a especificidade de seu trabalho, qual seja, ele é habilitado a compreender a complexidade do processo ensino/aprendizagem, principalmente no que tange aos aspectos psicológicos nele envolvidos. Além disso, pode intervir nas representações sociais acerca dos fenômenos que acontecem dentro da escola, desenvolvendo programas que estabeleçam novos parâmetros para as atividades, esclarecendo sobre os melhores procedimentos para atuação junto a alunos com dificuldades.

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