quarta-feira, 16 de outubro de 2013

EDUCAÇÃO: Projeto prevê assistência psicológica nas escolas








A necessidade de se ampliar o direito à saúde e a educação de nossa população, principalmente pelo fato da cidade de Nova Friburgo ter vivido a maior catástrofe climática da história do país, onde mais de 500 vidas foram ceifadas, e particularmente, as crianças que viveram os momentos de horror, com muitas delas perdido seus familiares, são fatores predominantes para a propositura de lei apresentada pelo vereador Ricardo Figueira.


O projeto dispõe sobre a implantação de assistência psicológica em toda a Rede Municipal de Ensino, com o objetivo de desenvolver um trabalho preventivo, diagnosticando, intervindo e prevenindo problemas de aprendizagem, tendo como enfoque o educando e as instituições de Educação Infantil e Ensino Fundamental.


O projeto determina, ainda, que a assistência deverá ser prestada por profissional habilitado e ocorrer nas dependências da instituição durante o período escolar, por período pré-determinado atendendo às necessidades de cada unidade escolar.


Segundo o vereador, o objetivo principal deste trabalho foi o de levantar subsídios para a contratação do Psicólogo Escolar para a Rede Municipal de Ensino. Por não "saberem" lidar com questões mais complexas, ou por não "conseguirem entender" o que se passa com os alunos, grande parte dos educadores sente-se incapaz de desenvolver seu trabalho.


Apesar da educação escolar ser um objeto de estudo de várias disciplinas científicas, nem todas estão representadas no organograma das escolas. Os profissionais que compõem as Equipes Técnicas das escolas representam uma única categoria profissional: a do Pedagogo, nas habilitações de Supervisor de Ensino e de Orientador Educacional. No entanto, apesar da constituição destas Equipes, as escolas continuam enfrentando problemas na estruturação de intervenções mais contundentes para a superação de suas dificuldades.


Em 1981, a APA (American Psychological Association) divulgou suas "Diretrizes de Especialidade para a Prestação de Serviços por Psicólogos Escolares", definindo os papéis desempenhados por esses profissionais como: "serviços destinados a promover o desenvolvimento educacional e a saúde mental.



Em 1995, um outro estudo bibliográfico, constatou que a expectativa com relação ao Psicólogo Escolar é que este tenha como objeto principal de trabalho, a criança e o escolar, tendo permanentemente preocupação com os valores éticos na construção da sua prática.


Entende-se que cotidiano escolar é o espaço privilegiado para a atuação do Psicólogo Escolar, pois é onde ocorre o encontro dos diversos segmentos que estão envolvidos com o dia a dia da escola, o que circunscreve o campo para a emergência das contradições que estão implícitas nas relações sociais que ali se desenvolvem. Assim sendo, a principal função do Psicólogo Escolar dentro da escola é a de, a partir de seu cotidiano e de sua história, proporcionar situações coletivas onde se desvele os significados implícitos nas relações (sobre a escola, sobre o conhecimento, sobre o aluno, etc...), de tal forma que os envolvidos no processo deem novos significados para as relações que ali estabelecem.


Desta forma, entende-se que o "lugar" do Psicólogo, seu espaço de atuação, deve ser "dentro" da escola. Ali, onde terá acesso ao cotidiano, ao dia a dia, ao que fazer diário de professores, alunos, direção, etc... É neste contexto e neste lugar que o Psicólogo poderá contribuir para uma visão multidisciplinar dos processos educativos que acontecem no contexto escolar.


Realidade em Londrina


Pesquisa realizada com 155 educadores nas escolas municipais de Londrina, 84,52% afirmaram ter dificuldades em suas atuações profissionais com os alunos; 78,71% com os pais; apenas 21,94% com a equipe técnico- pedagógica e 38,71% com o conteúdo.


Além disso, 96,13% dos educadores afirmaram a necessidade do apoio de especialistas nas escolas, e entre eles destacaram: Psicólogo, Fonoaudiólogo, Psicopedagogo, Orientador Educacional, Supervisor, Assistente Social, Odontólogo, Pedagogo, Médico, Fisioterapeuta, Nutricionista, Advogado e Enfermeiro.


E para finalizar, 73,55% dos educadores afirmaram desconhecer o trabalho do Psicólogo Escolar, sendo que apenas 9,03% já trabalhou com um profissional desta área e consideraram fundamental as intervenções realizadas pelo Psicólogo, tanto no âmbito escolar como fora deste contexto.



Nesse sentido, o Psicólogo Escolar pode, e deve, inserir-se na Equipe Técnica da Escola tendo em vista a especificidade de seu trabalho, qual seja, ele é habilitado a compreender a complexidade do processo ensino/aprendizagem, principalmente no que tange aos aspectos psicológicos nele envolvidos. Além disso, pode intervir nas representações sociais acerca dos fenômenos que acontecem dentro da escola, desenvolvendo programas que estabeleçam novos parâmetros para as atividades, esclarecendo sobre os melhores procedimentos para atuação junto a alunos com dificuldades.











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